27 de abril de 2005

O direito à arquitectura 2

É a falácia corporativista da nossa Ordem. Toda a gente devia poder assinar um projecto, desde que cumpra a lei. E esta deve ser o menos restritiva possível, de maneira a assegurar a qualidade de construção e a não destruição da paisagem natural/urbana (o que já não é pouco, e de qualquer maneira ainda não existe). Não discuto se o RGEU deva ser alterado, melhorado, etc., mas a verdade é que para fazer um projecto que o cumpra não é preciso andar seis anos a estudar, nem deve. Isto porque numa sociedade que se quer livre (e para mim mais liberal...) não se pode obrigar ninguém a pagar a um arquitecto para ter um projecto putativamente melhor (aliás, sabemos todos que não é sempre o caso). Quem paga a um arquitecto deveria fazê-lo apenas por querer ter um valor acrescentado, uma qualidade “erudita” e não “popular”. Mas se quiser ter o popular, por que raio é que se deve impedi-lo? A não ser por um saloio e provinciano corporativismo proteccionista, aquilo que lentamente e cada vez mais está a afundar o nosso país.

2 comentários:

Anónimo disse...

Acho que tens razão. ate aproveito para dizer, que esses saloios (que pelos visto não são só da provincia) quando tiverem um enfarte do mio-cardio, não vão a um medico cirugião, liguém antes pá linha de apoio do professor Karamba. aliás, é o que se tem feito, basta ir à linha de sintra. é tudo popular...e parolo! eu cá prefiro projectos de arquitecto.

Anónimo disse...

Numa sociedade que se quer de qualidade e liberal, a qualidade do que é feito para todos, e não esquecer que a Arquitectura diz respeito a todos pois temos que conviver com ela quer gostemos ao não, deve ser defendida. E é inegável que os arquitectos são as pessoas mais competentes para esta tarefa. E por um factor muito simples: eles é que tem a formação adequada para o fazer. Qualquer pessoa se pode medicar e qualquer pessoa pode desenhar a sua casa. No entanto é preciso muito mais do que "gosto" e bom senso quer para se medicar quer para desenhar uma casa. É preciso conhecimento. Se acham que é uma atitude saloia, experimentem desfrutar de um espaço público ou um edifício desenhado por um arquitecto, e comparem com a construção clandestina ou “espontânea” dos bairros sociais. Mas sejam honestos com vocês próprios.